terça-feira, 18 de dezembro de 2007
MÚSICA NOVA: João!
"Depois dos cinco anos o seu pai ensinou
Os segredos do universo no boteco do Agenor
Preso em garrafas nas estantes do bar
Servida em doses que te fazem sonhar
- João, as verdades da vida você pode encontrar
Em qualquer botequim, se você pode pagar
João, me dá esse dim-dim que cê ganhou no natal
Mas não conta pra tua mãe, vê se não vai me dedar!
João!
Naquele mesmo ano a mãe do João lhe contou
Sobre o fogo do inferno e a ira do criador
Que se quisesse ir pro céu era só escutar
As palavras desse moço de gravata no altar
- João, as verdades da vida você pode encontrar
Em qualquer igreja santa, também tem que pagar
João, o dinheiro que você ganhou roçando o quintal
Tem que pagar pro pastor, ou vai pro inferno queimar!
João!
Levando aquela vida na maior confusão
Rezando um gole pra Deus, orando fel no balcão
Vendendo bíblia e falando em salvação
Com um olho no livrinho, outro na filha do alemão
- João, as verdades da vida você pode encontrar
Em qualquer corpo sarado, e também tem que pagar
E bem pequeno, ele entendeu a questão
Não é o que eu posso comprar
É se o dinheiro vai dar
É, João!
Mas a luz da verdade ele só encontrou
Quando batia um papo sério com seu velho avô
Vô Frederico Niti lhe ensinou que o mundo
Tem dois tipos de gente, o resto é só vagabundo
- João, cê tem que escolher se quer comprar ou vender
Se nasceu pra pagar, ou se pra receber
Metade desse mundo aqui só sabe comprar
A outra metade vende tudo: cachaça, fé ou tesão!
João!"
Tá certo, a música é um deboche, mas bem poderia não ser...
sexta-feira, 30 de novembro de 2007
ERIC CLAPTON: Layla

Enquanto trabalhavam, algo inesperado aconteceu. Eric apaixonou-se por Pattie Boyd, mulher de George, dessas paixões fulminantes, dolorosas, vergonhosas. Desses amores que levam um homem ao fundo do poço. E Pattie, vivendo uma vida de segundo plano, freqüentemente afastada por George e seu amor devoto à cultura hindu, apaixonou-se por ele.
Dessa paixão arredia e traidora nasceu a canção Layla; visceral, forte, poderosa e cheia de um amor carnal e pecaminoso. Você pode sentir a raiva de Eric tocando aquele solo infernal que construiu para a abertura da canção, que foi gravada para o álbum da então nova banda do guitarrista, Derek and The Dominos, lançado no mesmo ano da morte de Jimi Hendrix e Duane Alman.
Eric implora, dolorosamente, na terceira estrofe: “Vamos fazer o melhor dessa situação, antes que eu finalmente enlouqueça. E, por favor, não diga que nunca encontraremos um meio e que todo o meu amor é em vão... Layla, você me tem de joelhos”.
Layla é a celebração do amor impossível e pecaminoso, nascido renegado porque contradiz não apenas os conceitos puritanos, mas também a noção de lealdade e amizade entre homens que se consideravam irmãos. Para os canalhas de plantão, talvez não seja tão claro o fato de Eric e Pattie terem se sentido como párias do universo, mas se você ouvir outras canções que Clapton gravou naquele mesmo disco, vai entender a profundidade da dor que aquele sentimento causou. Experimente ouvir Have You Ever Loved a Woman logo depois de Layla e isso vai ficar bem nítido.
O fim da música traz uma longa e calma melodia que se contrapõe ao arranjo infernalmente potente e belo que Eric Clapton criu para o início. Esse fim foi composto por Jim Gordon, parceiro de Eric na música, e alguns críticos o detestaram. Eles disseram que Layla seria perfeita sem ele. Discordo. Entendo que toda a canção, até aquele ponto, é um pedido (de joelhos!) de Eric para que Pattie aceite que se amam e façam alguma coisa de bom com esse sentimento poderoso e avassalador. A parte final é a aceitação de Pattie, travestida de Layla. É o momento em que os dois sucumbem ao amor.
Amo essa música, que não é bem um blues, mas traz todos os elementos dos melhores temas que um deveria ter:
What will you do when you get lonely
With nobody waiting by your side
You've been running and hiding much too long,
You know it's just your foolish pride.
Layla, you got me on my knees.
Layla, I'm begging darling please.
Layla, darling won't you ease my worried mind.
Tried to give you consolation,
Your old man won't let you down
Like a fool, I fell in love with you,
Turned the whole world upside down
Layla, you got me on my knees.
Layla, I'm begging darling please.
Layla, darling won't you ease my worried mind.
Let's make the best of the situation
Before I fin'lly go insane.
Please don't say we'll never find a way
And tell me all my loves in vain
Layla, you got me on my knees.
Layla, I'm begging darling please.
Layla, darling won't you ease my worried mind.
PS: Eric e Pattie acabaram vivendo juntos, alguns anos depois.
quarta-feira, 28 de novembro de 2007
MÚSICA NOVA: As bicicletas assassinas
Quem já não teve um desses sonhos estranhos, em que nada parece se encaixar ou fazer sentido? Aqueles sonhos em que você voa devagar, meio que nadando no ar, e acaba caindo... Ou aqueles em que você acha que está sendo perseguido...
As Bicicletas Assassinas é um blues rápido, num tom alto e desesperado, com riff e batida de marcha acelerada. E a historinha é um daqueles sonhos...
Eu já não vejo bicicletas
Assentadas nas paredes do meu quarto
Antigamente eu dormia
E elas ficavam vigiando o meu sono
E tramavam em silêncio
A minha morte prematura
Mas eu sabia!
E eu fugia pras colinas
Me abrigava entre os fungos da montanha
Os meus olhos estalados vigiavam
Os caminhos mais estreitos
E se eu visse o perigo se achegando
E montava o meu porco voador
E escaparia do destino
Entre as nuvens coloridas
Gaivotas de asas curtas
E pinturas surreais
Eu mergulhava pelos vales
E penhascos incrustados nos sinais
E avançava o vermelho
Feito um carro em desespero pedalando os meus pedais
Eu escalei fachos de luz
Eu mergulhei em lagos crus
Eu me escondi entre os anuns
E me encharquei de velhos runs
E acho que hoje eu sou livre
Eu despistei as bicicletas do meu sonho
E agora eu durmo tranqüilo
Pois não há mais bicicletas nos meus ombros
quarta-feira, 21 de novembro de 2007
Sobre gostar do blues, até depois que eu não estiver mais aqui

Ok, aí está o clichê...
quarta-feira, 17 de outubro de 2007
MÚSICA NOVA: Virando lata no boteco
Essa daqui é pra'queles canalhas inveterados que sempre têm a cara de pau de dizer que: meu bem, é fofoca das suas amigas que não quererm ver sua felicidade!
O bom canalha sempre tem um desculpa à altura. e, de acordo com meu velho amigo Joe, pra ter carteirinha de vira-lata, tem que negar até o fim!
Virando Lata no Boteco é um blues clássico, com gaita e riff manjado. Só não é mais manjado que o próprio narrador dessa estorinha pra lá de cara-de-pau!
Vai dizer que você não conhece um sujeito assim:
VIRANDO LATA NO BOTECO
Já me disseram que eu sou um traste e que eu num presto
Já me chamaram de patife e de todo o resto
Benzinho, você sabe que isso tudo é difamação
Eu sou só seu cachorrinho, isso é intriga da oposição
Já me flagraram nos lugares mais estranhos
Já me viram bebendo os drinques mais indigestos
Se te contarem que me viram pela madrugada
Rodando atrás de outra, isso é mentira, não viram nada
Não acredita, meu benzinho
É só intriga, não liga não
Você sabe, eu sou seu homem
E eu te dei o meu coração
Eu jamais faria qualquer coisa
Que pudesse te magoar
Eu sou só seu cachorrinho
Você pode confiar
Já te contaram que eu num gosto de trabalhar
Que eu vivo de bebedeira, de zona em zona, de bar em bar
Já te disseram que eu nasci pra vadiar
Mas é tudo invenção dessa gente que só quer nos separar
Já me chamaram de vagabundo e de nó cego
E contam histórias, tá certo, algumas eu nem nego
Eu era um perdido, mas isso era antes de você
Agora eu sou só seu cachorrinho virando a lata no boteco
segunda-feira, 15 de outubro de 2007
MÚSICA NOVA: Baby Blue
Nesse bar, você só vai ouvir velhos blues tocando na jukebox. E na sexta e sábado vai ter uma banda injuriada tocando no palco.
Quando você estiver com dor de corno porque ela te trocou por outro, você vai até lá pra tomar uma cerveja, ouvir Eric Clapton cantando Have You Ever Loved a Woman e talvez jogar uma sinuca com os velhos conhecidos.
Na entrada do bar você vai ver um letreiro grande, onde estará escrito: Baby Blue em neon. E uma placa na porta vai avisar logo de cara: Aqui não entra bêbado, só sai.
Mas você também vai poder levar sua garota pra comer uma pizza e contar algumas piadas sem graça. Talvez pra dançar um rockabilly ou um woogie-boogie com ela no salão.
É disso que trata essa música. E se, depois de ouvir, você também não tiver vontade de ter um bar como o Baby Blue, seu negócio, meu velho, é ser gerente de banco.
BABY BLUE
Quando a sexta chega e você quer sair
Pra cair na gandaia, pra se divertir
Eu conheço um lugar que fica perto daqui
Põe uma beca e pega a estrada que é só me seguir
Bem vindo ao Baby Blue
Bem vindo ao Baby Blue
A cerveja mais gelada
A banda mais animada
Desses bares do sul
São sete mesas de sinuca, sete bancos no balcão
Sete pares de mesinhas espalhadas no salão
Sete dias por semana se quiser diversão
Sete cordas na viola pra animar a multidão
Bem vindo ao Baby Blue
Bem vindo ao Baby Blue
Se você quer cair na farra não tem outro lugar
Todo mundo da cidade acaba vindo pra cá
Tem essa banda no palco, um cara doido de matar
É um diabo de mil dedos e ele sabe tocar
Bem vindo ao Baby Blue
Bem vindo ao Baby Blue
A mulherada endiabrada
A noite mais agitada
As garçonetes mais safadas
A sinuca mais jogada
A cerveja mais gelada
A banda mais animada
Desses bares do sul
segunda-feira, 8 de outubro de 2007
BUDDY GUY: Feels Like Rain
And in the sticky heat
I feel ya' open up to me
Love comes out of nowhere baby, just like a hurricane
And it feels like rain
And it feels like rain
And I'm wondering who you are and, how do you do?
How do you do, baby?
The clouds roll in across the moon, and the wind howls out your name
And it feels like rain
And it feels like rain
We never going to make that bridge tonight baby
Across lake Ponchartrain
And it feels like rain
And it feels like rain
So batten down the hatch baby, and leave your heart up your sleeve
It looks like we're in for stormy weather, that ain't no cause for us to leave
Just lay here, in my arms, let it wash away the pain
And it feels like rain
And it feels like rain"
...
É um blues lento e perfeito para aqueles bares onde você se abriga no fim da tarde pra encher o saco do barman com suas lamúrias inconsoláveis e a sensação quase física de que o destino está tirando um sarro com sua cara. Posso descrever pra você o boteco: tem um balcão longo, de madeira escura e curtida com aquele cheiro característico de cervejas velhas. Tem aqueles bancos de assento redondo em toda a extensão desse balcão e você bebe seu Johnny Walker encarando uma estante de garrafas fechadas com toda a sorte de fugas alcoólicas imagináveis e inimagináveis. Um espelho iluminado por um néon de um branco encardido empresta ao lugar um ar soturno que combina perfeitamente com seu estado de espírito.
Nesse bar, deve ter umas três ou quatro mesas de sinuca onde os sujeitos à toa da comunidade vêm passar as tardes, bebendo em garrafinhas long neck e contando mentiras sobre sexo e futebol em que ninguém acredita de verdade, mas faz parte do clima e você sempre concorda com as histórias mais mirabolantes e levanta seu copo pra brindar sempre que acaba uma delas.
Seja lá como for, quando Buddy resmunga de sua voz imponente e poderosa (mas nessa música ela está especialmente melancólica e cansada, triste de verdade, principalmente no refrão destruidor e resignado que ele canta aos sopros) que as nuvens atravessam a lua e o vento uiva seu nome... nessa hora você respira fundo e sopra o ar viciado dos pulmões, tentando encontrar uma explicação que não existe e um alento que jamais vai alcançar.
E você fecha os olhos, por um segundo apenas (e nós sabemos que um segundo pode ser uma eternidade inteira nessas horas), e repete a última frase da música, como se o mundo inteiro pudesse ser esquecido e só houvesse um destino possível para sua alma: deite-se aqui, nos meus braços, e deixe que a chuva lave a dor...
...
Se você quer conhecer um pouco do velho Buddy, leia aí embaixo que é o cara. Roubei o texto da Wikipedia e ele está bem legal. Vale a pena:
Buddy Guy (nascido George Guy, em 30 de julho de 1936 em Lettsworth, Louisiana) é um guitarrista e cantor norte-americano de blues e rock. Conhecido por servir de inspiração para Jimi Hendrix e outras lendas dos anos 60, Guy é considerado um importante expoente do chamado Chicago blues, tornado famoso por Muddy Waters e Howlin' Wolf.
Tinha cinco irmãos e seus pais eram Sam e Isabel Guy. Cresceu sob os conflitos da segregação racial onde banheiros, restaurantes e assentos de ônibus eram separados para brancos e negros. Com sete anos de idade Buddy fez a sua primeira “guitarra”, um pedaço de madeira com duas cordas amarradas com os grampos de cabelo de sua mãe. Com ela passava o tempo nas plantações e desenvolvia as suas “técnicas” musicais. Depois ele ganhou a sua primeira guitarra de “verdade”, um violão acústico Harmony que hoje se encontra no Hall da Fama do Rock and Roll, em Cleveland, nos EUA. Em 1955, com 19 anos, Buddy trabalhava na Universidade Estadual da Louisiana, ganhando 28 dólares por semana. Nunca havia saído do estado quando em 1957 um amigo seu que era cozinheiro em Chicago foi visitá-lo e disse que ele precisava ir para Chicago tocar sua guitarra de noite e trabalhar de dia. Guy se interessou pela proposta financeira, pois poderia ganhar em torno de 70 dólares por semana e quem sabe sair de noite para ver os mestres Howlin’ Wolf, Muddy Waters, Little Walter e, de quebra, ainda aprender alguma coisa para tocar sua guitarra em casa. Em 25 de setembro de 1957 Buddy saiu de Lettsworth e chegou em Chicago.
O choque foi grande, saindo do ambiente rural e chegando na metrópole totalmente urbana. Buddy arrumou um emprego e após alguns meses conseguiu uma audiência no 708 Club. Naquela noite chegou ao clube, em um Chevrolet vermelho, nada menos que Muddy Waters. Buddy foi servir sanduíche de salame para ele que perguntou se ele estava com fome. Buddy respondeu que, se ele era Muddy Waters, não estava mais com fome, encontrá-lo o alimentou. Guy começou a tocar em bares de Chicago e seu estilo foi bem aceito. Ele começou a chamar atenção. Gostava de tocar como B.B. King e atuar no palco como Magic Slim. Resolveu, então, enviar uma fita para a gravadora Chess Records, selo tradicional do blues que contava com artistas como Willie Dixon, Muddy Waters, Howlin’ Wolf, Little Walter e Koko Taylor. Em 1960 começou a fazer as guitarras das gravações destes grandes mestres da Chess. Era sempre o primeiro guitarrista a ser chamado pela gravadora.
Mas Buddy não estava satisfeito, pois fazia apenas o acompanhamento. Ele queria mais, queria fazer suas próprias composições. Em 1967 gravou “I Left My Blues” em San Francisco, pela Chess Records. Em 1968 foi para a Vanguard Records e gravou dois álbuns clássicos: A “Man and His Blues” e “Hold That Plane”. A partir desta época seu estilo agressivo e selvagem de tocar, além de seu vocal rasgante, começaram a chamar a atenção de músicos do rock, principalmente os ingleses. Eric Clapton disse em 2005 que Buddy Guy foi para ele o que Elvis foi para muitos outros.
Em 1970 Buddy inicia uma parceria com o gaitista Junior Wells e lança o disco “Buddy and the Juniors”. Em 1972 sai “Buddy Guy and Junior Wells Play the Blues”, disco produzido por Eric Clapton, Tom Dowd e Ahmet Ertegum. Que pode ser considerado um dos melhores álbuns de Buddy, com clássicos do blues e composições próprias, num som límpido, simples e cru. Em 1974 Guy se associa ao baixista dos Rolling Stones, Bill Wyman, que produz e toca no álbum ao vivo chamado “Drinkin’ TNT ‘n’ Somkin’ Dynamite”. Até quase o final dos anos 80 sua carreira declinou e só voltou a decolar a partir de 1989 quando Buddy abriu o clube “Buddy Guy Legends”, em Chicago, considerado o lugar preferido da maioria dos artistas de blues para se apresentar.
Em 1990 – 1991 Guy tocou junto com Eric Clapton no Royal Albert Hall, em Londres, num show somente de guitarristas. Esta participação lhe proporcionou um contrato com a Silvertone Records, onde ele gravou diversos álbuns, mas o primeiro foi “Damn Right, I’ve got The Blues”, de 1991, que contava com a participação especial de Eric Clapton, Jeff Beck e Mark Knopfler. O disco obteve um sucesso incomum para a cena do blues: ganhou disco de ouro, vendeu 500.000 cópias e também ganhou o Grammy Dois anos depois, em 1993, gravou “Feels Like Rain” e em 1994 “Slippin’ in”, ganhando o Grammy com os dois discos. O sucesso havia retornado com força. Foi um trabalho de persistência, como disse Buddy: “tinha colocado na minha cabeça que precisava continuar tocando, porque eu sentia que não tinha tido a chance de me expressar com minha guitarra e minha voz. Poucos haviam me ouvido, mas continuei tocando até que a chance veio com ‘Damn right, I’ve got the blues’ e aí estourei! Acho que alguém me ouviu, lá em cima!” E assim veio em 1996 o disco ao vivo “Live: The Real Deal”, em 1998 “Heavy Love”, em 2001 “Sweet Tea”, onde Buddy retornou ao blues de raízes, em 2003 “Blues Singer” e por último, em 2005, “Bring ‘Em in”, onde Guy contou com a participação de Carlos Santana e John Mayer.
Enquanto a música de Buddy Guy é freqüentemente associada ao blues de Chicago, seu estilo é único e inconfundível. Sua música pode variar desde o mais tradicional e profundo blues, à mais criativa, imprevisível e radical agregação entre blues, rock moderno e jazz livre, que se juntam a cada performance ao vivo de maneira inédita. Em 2004, Jon Pareles, crítico de música pop do New York Times, escreveu: "Mr. Guy, 68, mistura anarquia, virtuosismo, blues denso e suas vertentes de uma maneira única, prendendo a si todas as atenções da audiência (...) Guy adora extremos: mudanças repentinas entre sons pesados e leves, ou um doce solo de guitarra seguido por um surto de velocidade, ou peso, improvisando idas e vindas com a voz... Seja cantando com doçura ou raiva, seja trazendo novas entonações à uma nota de blues, ele é um mestre da tensão e do relaxamento, e sua concentração e dedicação são hiponotizantes."
Alguns fãs de blues e críticos musicais acreditam que a discografia de Guy no período de 1960 a 1967 agrupa a melhor parte de seu trabalho. Algumas das novidades apresentadas por Buddy durante suas primeiras apresentações ao vivo foram capturadas pelos álbuns do "American Folk Blues Festival". Eric Clapton, Jeff Beck e Jimmy Page admiravam o lado mais radical de suas músicas, no início dos anos 60. Suas músicas foram regravadas por Led Zeppelin, Eric Clapton, Rolling Stones, Stevie Ray Vaughan, John Mayall, Jack Bruce, entre outros. Algumas de suas primeiras canções foram “roubadas” por Willie Dixon e pelas primeiras gravadoras por onde Guy passou. Além disso, Guy talvez seja mais conhecido por suas interpretações criativas sobre os trabalhos de outros músicos. Fãs de blues mais tradicionais parecem apreciar os seguintes álbuns: "The Very Best of Buddy Guy", "Blues Singer", "Junior Wells' Hoodoo Man Blues", "A Man & The Blues" e "I Was Walking Through The Woods". Os fãs mais contemporâneos parecem preferir "Slippin’ In", "Sweet Tea", "Stone Crazy", "Buddy's Baddest: The Best Of Buddy Guy", "Damn Right", "I’ve Got The Blues", e "D.J. Play My Blues". Uma performance ao vivo pode ser assistida no vídeo "Live! The Real Deal" e ele ainda está presente nos seguintes DVDs: "Lightning In a Bottle", "Crossroads Guitar Festival", "Eric Clapton: 24 Nights", "Festival Express", e "A Tribute to Stevie Ray Vaughan".
terça-feira, 21 de agosto de 2007
MÚSICA NOVA: AUTÓPSIA
Essa é velha feito o cão, meninos e meninas. E ouso dizer que é a primeira canção de amor da banda. Alguns hão de dizer que estamos ficando com o coração mole (feito o Panga-Love, que se apaixonou e agora fica trocando recadinhos de amor do Orkut - mas deixa o rapaz, ele está amando...)
"Autópsia" foi escrita há muito tempo, pra extinta banda Autópsia, que tinha o Andinho Mortão no vocal, o Panga na bateria e o Suel no baixo. Se eu não me engano, Podrão tocava guitarra...
Conta a história de um rapaz apaixonado pela garota errada, que nunca lhe dá bola porque o coitado é pobre e tem um emprego de lascar. Mas como a gente não gosta de finais tristes, no fim das contas, quem acaba com o coração partido é ela (literalmente).
Vai aí:
Doçura, você sempre implicou com o meu jeito
Com meu emprego e a minha cara de tacho
E toda a sua vida recusou o meu beijo
Só que agora eu vou dizer o que eu acho
A vida inteira eu implorei por você
Mas você não me deu bola, não quis nem saber
Jogou na minha cara que eu tinha pouca grana
E que queria um cara rico com um carro bacana
Agora, meu bem
Não tem dinheiro nem glória
E não tem carro do ano
Que melhore a tua história
Você dizia que sonhava casar
Com pompa e circunstância de parada militar
Apontava o seu dedo ou descia o polegar
Se era um bom partido ou tava fora do ar
Você com sua graça de santinha golpista
Tava a fim de doutor, engenheiro ou dentista
Mas agora, minha filha, cê vai ter que engolir
Meu avental sujo de sangue de assistente do legista
Agora, meu bem
Não tem dinheiro nem glória
E não tem carro do ano
Que melhore a tua história
Eu vou fazer sua autópsia
Você me dizia que eu te dava enjôo
Agora a sua pele descama e dá nojo
Falava mal do meu perfume barato
Amor, o seu sorriso tá cheirando feito rato
Você aí sem roupa nessa pedra tão fria
Já não dá mais tesão, já não dá alegria
Aí perdida enfeitando o necrotério
Esperando entrar na faca praP morar no cemitério
Agora, meu bem
Não tem dinheiro nem glória
E não tem carro do ano
Que melhore a tua história
Eu vou fazer sua autópsia
(Autópsia - Zero Ora!)
segunda-feira, 30 de julho de 2007
O que a gente ouve: Stevie Ray Vaughan

O álbum de estréia do Stevie Ray Vaughan & Double Trouble foi lançado em 1983. O aclamado pela crítica, Texas Flood (Produzido por John Hammond) lançou o sucesso top 20 "Pride and Joy" e vendeu bem tanto nos círculos de blues como de rock. Os álbuns seguintes, "Couldn't Stand the Weather" (1984) e "Soul to Soul" (1985), vivenciaram quase o mesmo sucesso dos discos anteriores. O vício em drogas e o alcoolismo levaram Vaughan a ter um colapso durante sua turnê em 1986. Passou por um processo de reabilitação na Georgia um ano mais tarde. Após seu retorno, Vaughan gravou "In Step" (1989), outro disco aclamado pela crítica que ganhou um Grammy pela melhor gravação de blues.
O estilo musical de Vaughan tocar blues era fortemente influenciado por Albert King, que se auto-proclamou "padrinho" de Stevie, e por outros músicos de blues como Otis Rush and Buddy Guy. Stevie é reconhecido por seu som de guitarra característico, que em parte provinha do uso de cordas de guitarra espessas, pesadas, calibre .013. O som e o estilo de Vaughan tocar, que freqüentemente mescla partes de guitarra solo com guitarra rítmica, também traz freqüentes comparações com Jimi Hendrix; Vaughan gravou várias canções de Hendrix em seus álbums de estúdio e ao vivo, como "Little Wing", "Voodoo Chile (Slight Return)" e "Third Stone from the Sun". Ele também era fortemente influenciado por Freddie King, outro grande músico texano, pricipalmente pelo tom e ataque. O pesado vibrato de King pode ser claramente ouvido no estilo de Vaughan. Outra influência no estilo foi Albert Collins. Sua técnica da mão direita, usando o dedo indicador, foi extensamente utilizada por SRV, batendo na cordas contra o braço da guitarra.
Entretanto, o retorno de Vaughan foi tragicamente interrompido quando, na manhã do dia 27 de agosto de 1990, ele morreu em um acidente de helicóptero próximo a East Troy, Wisconsin. SRV seguia para para uma apresentação no Alpine Valley Music Theater, onde na tarde anterior se apresentara junto com Robert Cray, Buddy Guy, Eric Clapton e seu irmão mais velho Jimmie Vaughan. Foi Eric Clapton quem cedeu seu lugar no helicóptero para Stevie.Stevie Ray Vaughan está enterrado no Laurel Land Memorial Park,em Dallas, no Texas.
Sem ordem de preferência, ouça todas - Músicas do velho Stevie que a gente recomenda:
Pride and Joy (essa a gente toca no show)
Love Struck Baby
Texas Flood
Lenny (deliciosa)
Scuttle Buttin'
The things (that) I use to do
Cold Shot
Tin Pan Alley
Give me back my wig
Empy arms
The sky is crying (a melhor música de dor de corno de todos os tempos! A gente também toca essa)
Look at little sister
Change it
Life without you
Little wing (é, aquela do Marechal Hendrix)
The house is rockin' (impossível não ter vontade de sair dançando)
Life by the drop (no violão... dá vontade de cantar junto)
domingo, 15 de julho de 2007
Juiz de Fora
Saímos por volta das onze da manhã. Parada no posto da Barbará pra colocar um gás na Blazer, porque na gasolina bolso nenhum agüenta. Meia hora de fila. Quase voltei pra abastecer na cidade. Não sei se é só comigo, mas toda vez que paro naquele posto, minha paciência se esgota. Teria sido um tédio irritante ,não fosse o Physical Graffiti do Led Zeppelin no aparelho, tocando o In My Time Of Dying, um blues de arrebentar as convenções e os modos, com quase 12 minutos de duração...
Pegamos a estrada e todos conhecemos o caminho complicado que precisamos vencer até Três Rios. Highway to Hell com Bon Scott gritando pelos cantos e a eventual conversa fiada que rola no carro. Piadas repetidas do Gargamel (engraçadas, de tão batisdas e sem graça), o Pangaré dando um furo atrás do outro, Suel de bermudinha coladinha e profetizando que ia passar mal na viagem.
Parada pro lanche em Paraíba do Sul. Um espetinho de frango murcho, uma pizza frita encharcada e "a melhor torta de chocolate do mundo". Tava lá na vitrine.
- Tá com uma cara boa (comentário do Gargamel olhando a vitrine e coçando o queixo). Ó... vou comer.
Pedimos três. E o Garga comeu primeiro. Não sem antes fazer o comentário urucubento:
- Vai ser essa torta que vai dar dor de barriga em todo mundo. Escreve aí o que eu tô falando.
E mordeu.
- Tá boa, Júnior? - o idiota aqui ainda perguntou.
- Pô! Boa pra cacete!
Sinceramente: nunca comi uma porcaria de bolo tão ruim na minha vida. Seco, sem gosto, com um creme de margarina imitando brigadeiro por cima. Mordi um pedaço e olhei de volta pro Gargamel.
- Que merda!
E o desgraçado rindo.
- Pensaram que eu ia me ferrar sozinho?
Metade do bolo pra trás, voltamos pra estrada.
Não foi muito difícil achar o local em Juiz de Fora. Praça da Estação, embora o Pangaré tenha cismado (e ainda teima até agora) que era um outro nome. Uma estação enorme do nosso lado e o cara ainda teima que era outra praça. Vai entender!
Chegamos. 6ª banda pra tocar. 25 minutos. Dava 3 músicas. Escolhemos 3 grandes, com a nova, Baby Blue, com quase 10 minutos, pra encerrar. Dez minutos depois já éramos a 5ª banda, porque tinha faltado uma. Sem problemas. E ainda com o Gargamel tirando foto de um tanque de guerra do outro lado da rua.
Tocamos as três músicas. Bom o som, boa a pegada e uma galerinha na frente, no meio daquele monte de camisas pretas, dançando blues como se fosse num boteco na beira de uma estrada do Texas. Legal. Só não consigo entender por que roqueiro tem que se fantasiar daquele jeito. Tinha um cara com um sobretudo enorme e uma camisa preta com o símbolo do justiceiro no peito. Devia estar se achando muito. Muito ridículo, mas... fazer o quê. Tem doido pra tudo.
Tocamos e demos o fora, de fininho. E o velho Negão, que só chegou na praça quando nós acabamos) de carona. Mais piadas velhas, comentários inteligentes do Panga, Suel passando mal no banco do carona e as Minas Gerais foram ficando para trás, com a noite despencando na BR044.
Divertido. Dá pra fazer outras vezes. Na verdade, preciso confessar que a parte da viagem costuma ser mais interessante que a apresentação propriamente dita. Não que tocar não seja legal. é muito bom e o motivo primordial de estarmos rodando por aí. Mas a viagem... Só quem já esteve junto sabe como é perder o fôlego de tanto rir.
De qualquer forma, até a próxima viagem. Sem bolo de chocolate desta vez.
Ah! Claro, ninguém teve piriri desta vez. O bolo era ruim, mas acho que nós somos mais e ele não fez efeito.
Até.