segunda-feira, 30 de julho de 2007

O que a gente ouve: Stevie Ray Vaughan


Seguindo a linha "só toco cover se a banda for melhor que a minha", meio marrenta, mas verdadeira e autêntica, nós também só ouvimos e recomendamos aquilo que gostamos.É claro que todo bom amante do velho blues conhece Stevie Ray Vaughan, mas não custa recomendar pro resto da moçada que ouve o nome e pensa: "heim?"Stevie é creditado como um dos mais influentes músicos americanos da atualidade, exímio guitarista de blues, com uma pegada única e caracterírca. Você ouve o timbre e o riff e sabe que é ele (ou alguém tentando imitar).No início de sua carreira Vaughan chegou a tocar na banda de seu irmão Jimmie Vaughan, a princípio assumindo o contra-baixo, apenas para ter a oportunidade de tocar em uma banda. Com a experiência adquirida após tocar em uma série de bandas, Vaughan formou o conjunto de blues e rock chamado Double Trouble com o baterista Chris Layton e o baixista Jackie Newhouse no final dos anos 70. Tommy Shannon substituiu Newhouse em 1981. No início conhecido apenas localmente, logo Vaughan atraiu a atenção de David Bowie e Jackson Browne, gravando em álbuns de ambos. O primeiro contato de Bowie com Vaughan havia sido no Montreux Jazz Festival. Bowie lançou Vaughan em seu álbum "Let's Dance" na canção com o mesmo nome e também na canção "China Girl".

O álbum de estréia do Stevie Ray Vaughan & Double Trouble foi lançado em 1983. O aclamado pela crítica, Texas Flood (Produzido por John Hammond) lançou o sucesso top 20 "Pride and Joy" e vendeu bem tanto nos círculos de blues como de rock. Os álbuns seguintes, "Couldn't Stand the Weather" (1984) e "Soul to Soul" (1985), vivenciaram quase o mesmo sucesso dos discos anteriores. O vício em drogas e o alcoolismo levaram Vaughan a ter um colapso durante sua turnê em 1986. Passou por um processo de reabilitação na Georgia um ano mais tarde. Após seu retorno, Vaughan gravou "In Step" (1989), outro disco aclamado pela crítica que ganhou um Grammy pela melhor gravação de blues.

O estilo musical de Vaughan tocar blues era fortemente influenciado por Albert King, que se auto-proclamou "padrinho" de Stevie, e por outros músicos de blues como Otis Rush and Buddy Guy. Stevie é reconhecido por seu som de guitarra característico, que em parte provinha do uso de cordas de guitarra espessas, pesadas, calibre .013. O som e o estilo de Vaughan tocar, que freqüentemente mescla partes de guitarra solo com guitarra rítmica, também traz freqüentes comparações com Jimi Hendrix; Vaughan gravou várias canções de Hendrix em seus álbums de estúdio e ao vivo, como "Little Wing", "Voodoo Chile (Slight Return)" e "Third Stone from the Sun". Ele também era fortemente influenciado por Freddie King, outro grande músico texano, pricipalmente pelo tom e ataque. O pesado vibrato de King pode ser claramente ouvido no estilo de Vaughan. Outra influência no estilo foi Albert Collins. Sua técnica da mão direita, usando o dedo indicador, foi extensamente utilizada por SRV, batendo na cordas contra o braço da guitarra.

Entretanto, o retorno de Vaughan foi tragicamente interrompido quando, na manhã do dia 27 de agosto de 1990, ele morreu em um acidente de helicóptero próximo a East Troy, Wisconsin. SRV seguia para para uma apresentação no Alpine Valley Music Theater, onde na tarde anterior se apresentara junto com Robert Cray, Buddy Guy, Eric Clapton e seu irmão mais velho Jimmie Vaughan. Foi Eric Clapton quem cedeu seu lugar no helicóptero para Stevie.Stevie Ray Vaughan está enterrado no Laurel Land Memorial Park,em Dallas, no Texas.

Sem ordem de preferência, ouça todas - Músicas do velho Stevie que a gente recomenda:
Pride and Joy (essa a gente toca no show)
Love Struck Baby
Texas Flood
Lenny (deliciosa)
Scuttle Buttin'
The things (that) I use to do
Cold Shot
Tin Pan Alley
Give me back my wig
Empy arms
The sky is crying (a melhor música de dor de corno de todos os tempos! A gente também toca essa)
Look at little sister
Change it
Life without you
Little wing (é, aquela do Marechal Hendrix)
The house is rockin' (impossível não ter vontade de sair dançando)
Life by the drop (no violão... dá vontade de cantar junto)

domingo, 15 de julho de 2007

Juiz de Fora

Estivemos ontem, arrastando as caixas e a parafernália inacabável do Pangaré (pratos, ferros, estantes, caixa, baquetas, mochia...), em Juiz do Fora/MG, pra participar do Festival de Bandas Novas. Nossa primeira incursão para além das terras fluminenses. Se tivemos alguma emoção por atravessar a fronteira pela primeira vez? Vai lendo...

Saímos por volta das onze da manhã. Parada no posto da Barbará pra colocar um gás na Blazer, porque na gasolina bolso nenhum agüenta. Meia hora de fila. Quase voltei pra abastecer na cidade. Não sei se é só comigo, mas toda vez que paro naquele posto, minha paciência se esgota. Teria sido um tédio irritante ,não fosse o Physical Graffiti do Led Zeppelin no aparelho, tocando o In My Time Of Dying, um blues de arrebentar as convenções e os modos, com quase 12 minutos de duração...

Pegamos a estrada e todos conhecemos o caminho complicado que precisamos vencer até Três Rios. Highway to Hell com Bon Scott gritando pelos cantos e a eventual conversa fiada que rola no carro. Piadas repetidas do Gargamel (engraçadas, de tão batisdas e sem graça), o Pangaré dando um furo atrás do outro, Suel de bermudinha coladinha e profetizando que ia passar mal na viagem.

Parada pro lanche em Paraíba do Sul. Um espetinho de frango murcho, uma pizza frita encharcada e "a melhor torta de chocolate do mundo". Tava lá na vitrine.

- Tá com uma cara boa (comentário do Gargamel olhando a vitrine e coçando o queixo). Ó... vou comer.

Pedimos três. E o Garga comeu primeiro. Não sem antes fazer o comentário urucubento:

- Vai ser essa torta que vai dar dor de barriga em todo mundo. Escreve aí o que eu tô falando.

E mordeu.

- Tá boa, Júnior? - o idiota aqui ainda perguntou.

- Pô! Boa pra cacete!

Sinceramente: nunca comi uma porcaria de bolo tão ruim na minha vida. Seco, sem gosto, com um creme de margarina imitando brigadeiro por cima. Mordi um pedaço e olhei de volta pro Gargamel.

- Que merda!

E o desgraçado rindo.

- Pensaram que eu ia me ferrar sozinho?

Metade do bolo pra trás, voltamos pra estrada.

Não foi muito difícil achar o local em Juiz de Fora. Praça da Estação, embora o Pangaré tenha cismado (e ainda teima até agora) que era um outro nome. Uma estação enorme do nosso lado e o cara ainda teima que era outra praça. Vai entender!

Chegamos. 6ª banda pra tocar. 25 minutos. Dava 3 músicas. Escolhemos 3 grandes, com a nova, Baby Blue, com quase 10 minutos, pra encerrar. Dez minutos depois já éramos a 5ª banda, porque tinha faltado uma. Sem problemas. E ainda com o Gargamel tirando foto de um tanque de guerra do outro lado da rua.

Tocamos as três músicas. Bom o som, boa a pegada e uma galerinha na frente, no meio daquele monte de camisas pretas, dançando blues como se fosse num boteco na beira de uma estrada do Texas. Legal. Só não consigo entender por que roqueiro tem que se fantasiar daquele jeito. Tinha um cara com um sobretudo enorme e uma camisa preta com o símbolo do justiceiro no peito. Devia estar se achando muito. Muito ridículo, mas... fazer o quê. Tem doido pra tudo.

Tocamos e demos o fora, de fininho. E o velho Negão, que só chegou na praça quando nós acabamos) de carona. Mais piadas velhas, comentários inteligentes do Panga, Suel passando mal no banco do carona e as Minas Gerais foram ficando para trás, com a noite despencando na BR044.

Divertido. Dá pra fazer outras vezes. Na verdade, preciso confessar que a parte da viagem costuma ser mais interessante que a apresentação propriamente dita. Não que tocar não seja legal. é muito bom e o motivo primordial de estarmos rodando por aí. Mas a viagem... Só quem já esteve junto sabe como é perder o fôlego de tanto rir.

De qualquer forma, até a próxima viagem. Sem bolo de chocolate desta vez.

Ah! Claro, ninguém teve piriri desta vez. O bolo era ruim, mas acho que nós somos mais e ele não fez efeito.

Até.