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quarta-feira, 1 de outubro de 2008

MÚSICA NOVA: As Minhas Verdades

Tem uma cena no filme QUASE FAMOSOS que, pra mim, é classica (como o filme é,inteiro!). Depois de uma apresentação horrorosa, uma noite de desavenças e excessos, a banda se despede de uma cidadezinha perdida do interior americano e pega o ônibus, de volta à estrada. Todo mundo calado e contrariado. O sonho do rock'n'roll, você pensa, perdeu seu brilho para os egos inflados de todo mundo e nada vai ser como era antes. Talvez não haja mais futuro para os desejos individuais e o amor coletivo...

Na cena, enquanto os últimos viajantes embarcam, uma velha canção de um impensado Elton John começa a tocar. Aos poucos, um e outro começam a cantarolar. Antes que a cena termine, enquanto a viagem passeia pelas janelas numa estrada perdida, todos estão cantando juntos. O rock'n'roll, meu bem, é mais poderoso que nossas crises maniqueístas ou complexos de Deus. Ele é maior que nossos sonhos e desejos individuais. Ele é maior que nossas verdades egoístas.

Não nego que foi dessa cena que saiu a inspiração para essa música. E espero que saia tão deliciosa e inspiradora quanto o filme me foi.

AS MINHAS VERDADES


Quando e se eu morrer, meu amor
Não deixe que ninguém compre as minhas verdades
que pode ser, meu bem
Que um desses hippies iludidos
Descubra que elas dão dinheiro
E transforme a minha fé

Em livros baratos
De supermercado
E exiba a minha foto
Em camisetas coloridas
Pra vender no natal

Estenda a mão, meu bem
Pega a mochila e vem pra estrada
Esse é o sinal, meu amor
De que o mundo de verdade
É uma viagem sem volta
E pra ser feliz
Você precisa sonhar seu próprio sonho


E ela não vai resistir
A minha fé morre comigo
É que as verdades, meu bem
São mais frágeis que o cristal
São feito cera castigada
Pelo sol do meio-dia
Mas são vendidas nas esquinas
Como aço inquebrantável

Em cestas reluzentes que te fazem sonhar
Mas esse não é meu sonho
Eu não preciso de outro livro
Pra saber o que sonhar

Estenda a mão, meu bem
Pega a mochila e vem pra estrada
Esse é o sinal, meu amor
De que o mundo de verdade
É uma viagem sem volta
E pra ser feliz
Você precisa sonhar seu próprio sonho


E numa tarde ensolarada
Procura o teu paiu
E senta com ele na rede da varanda
Explica que a vida
É tão mais bela e infinita
Do que os sonhos mais bonitos
Que ele teve pra mim

E diga que eu seria
O melhor doutor do mundo
Se eu quisesse ser doutor
Mas esse não é o meu destino
É o de qualquer outra pessoa
É o de qualquer outra pessoa

Estenda a mão, meu bem
Pega a mochila e vem pra estrada
Esse é o sinal, meu amor
De que o mundo de verdade
É uma viagem sem volta
E pra ser feliz
Você precisa sonhar seu próprio sonho

Estenda a mão, meu bem
Pega a mochila e vem pra estrada
Esse é o sinal, meu amor
De que o mundo de verdade
É uma viagem sem volta
E pra ser feliz
Você precisa sonhar seu próprio sonho

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

MÚSICA NOVA: João!

O avô do João é um velhote magrelo e sacana chamado Frederico Niti. Bigodudo e abelhudo, um dia puxou conversa com o neto, que andava meio perdido na vida, entre as verdades que os outros empurraram nele, e explicou a coisa dessa maneira:

"Depois dos cinco anos o seu pai ensinou
Os segredos do universo no boteco do Agenor
Preso em garrafas nas estantes do bar
Servida em doses que te fazem sonhar
- João, as verdades da vida você pode encontrar
Em qualquer botequim, se você pode pagar
João, me dá esse dim-dim que cê ganhou no natal
Mas não conta pra tua mãe, vê se não vai me dedar!
João!

Naquele mesmo ano a mãe do João lhe contou
Sobre o fogo do inferno e a ira do criador
Que se quisesse ir pro céu era só escutar
As palavras desse moço de gravata no altar
- João, as verdades da vida você pode encontrar
Em qualquer igreja santa, também tem que pagar
João, o dinheiro que você ganhou roçando o quintal
Tem que pagar pro pastor, ou vai pro inferno queimar!
João!

Levando aquela vida na maior confusão
Rezando um gole pra Deus, orando fel no balcão
Vendendo bíblia e falando em salvação
Com um olho no livrinho, outro na filha do alemão
- João, as verdades da vida você pode encontrar
Em qualquer corpo sarado, e também tem que pagar
E bem pequeno, ele entendeu a questão
Não é o que eu posso comprar
É se o dinheiro vai dar
É, João!

Mas a luz da verdade ele só encontrou
Quando batia um papo sério com seu velho avô
Vô Frederico Niti lhe ensinou que o mundo
Tem dois tipos de gente, o resto é só vagabundo
- João, cê tem que escolher se quer comprar ou vender
Se nasceu pra pagar, ou se pra receber
Metade desse mundo aqui só sabe comprar
A outra metade vende tudo: cachaça, fé ou tesão!
João!
"


Tá certo, a música é um deboche, mas bem poderia não ser...

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

MÚSICA NOVA: As bicicletas assassinas

À semelhança de Delirium Tremens do primeiro disco, algumas pessoas vão achar que o infeliz que escreveu essa letra estava bêbado. Não é o caso.

Quem já não teve um desses sonhos estranhos, em que nada parece se encaixar ou fazer sentido? Aqueles sonhos em que você voa devagar, meio que nadando no ar, e acaba caindo... Ou aqueles em que você acha que está sendo perseguido...

As Bicicletas Assassinas é um blues rápido, num tom alto e desesperado, com riff e batida de marcha acelerada. E a historinha é um daqueles sonhos...

Eu já não vejo bicicletas
Assentadas nas paredes do meu quarto
Antigamente eu dormia
E elas ficavam vigiando o meu sono
E tramavam em silêncio
A minha morte prematura
Mas eu sabia!

E eu fugia pras colinas
Me abrigava entre os fungos da montanha
Os meus olhos estalados vigiavam
Os caminhos mais estreitos
E se eu visse o perigo se achegando
E montava o meu porco voador

E escaparia do destino
Entre as nuvens coloridas
Gaivotas de asas curtas
E pinturas surreais
Eu mergulhava pelos vales
E penhascos incrustados nos sinais
E avançava o vermelho
Feito um carro em desespero pedalando os meus pedais

Eu escalei fachos de luz
Eu mergulhei em lagos crus
Eu me escondi entre os anuns
E me encharquei de velhos runs
E acho que hoje eu sou livre
Eu despistei as bicicletas do meu sonho
E agora eu durmo tranqüilo
Pois não há mais bicicletas nos meus ombros

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

MÚSICA NOVA: Virando lata no boteco

Quem esteve no lançamento do CD de estréia da banda, em... quando foi mesmo?! Bem, quem esteve lá, vai se lembrar que tocamos esse e Baby Blue.

Essa daqui é pra'queles canalhas inveterados que sempre têm a cara de pau de dizer que: meu bem, é fofoca das suas amigas que não quererm ver sua felicidade!

O bom canalha sempre tem um desculpa à altura. e, de acordo com meu velho amigo Joe, pra ter carteirinha de vira-lata, tem que negar até o fim!

Virando Lata no Boteco é um blues clássico, com gaita e riff manjado. Só não é mais manjado que o próprio narrador dessa estorinha pra lá de cara-de-pau!

Vai dizer que você não conhece um sujeito assim:

VIRANDO LATA NO BOTECO

Já me disseram que eu sou um traste e que eu num presto
Já me chamaram de patife e de todo o resto
Benzinho, você sabe que isso tudo é difamação
Eu sou só seu cachorrinho, isso é intriga da oposição

Já me flagraram nos lugares mais estranhos
Já me viram bebendo os drinques mais indigestos
Se te contarem que me viram pela madrugada
Rodando atrás de outra, isso é mentira, não viram nada

Não acredita, meu benzinho
É só intriga, não liga não
Você sabe, eu sou seu homem
E eu te dei o meu coração
Eu jamais faria qualquer coisa
Que pudesse te magoar
Eu sou só seu cachorrinho
Você pode confiar

Já te contaram que eu num gosto de trabalhar
Que eu vivo de bebedeira, de zona em zona, de bar em bar
Já te disseram que eu nasci pra vadiar
Mas é tudo invenção dessa gente que só quer nos separar

Já me chamaram de vagabundo e de nó cego
E contam histórias, tá certo, algumas eu nem nego
Eu era um perdido, mas isso era antes de você
Agora eu sou só seu cachorrinho virando a lata no boteco

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

MÚSICA NOVA: Baby Blue

Eu queria ter um bar. Não um boteco comum, mas um desses bares no estilo interior americano, na beira de uma estrada, com garçonetes vestindo aventais xadrez, do mesmo pano que cobre as mesinhas.

Nesse bar, você só vai ouvir velhos blues tocando na jukebox. E na sexta e sábado vai ter uma banda injuriada tocando no palco.

Quando você estiver com dor de corno porque ela te trocou por outro, você vai até lá pra tomar uma cerveja, ouvir Eric Clapton cantando Have You Ever Loved a Woman e talvez jogar uma sinuca com os velhos conhecidos.

Na entrada do bar você vai ver um letreiro grande, onde estará escrito: Baby Blue em neon. E uma placa na porta vai avisar logo de cara: Aqui não entra bêbado, só sai.

Mas você também vai poder levar sua garota pra comer uma pizza e contar algumas piadas sem graça. Talvez pra dançar um rockabilly ou um woogie-boogie com ela no salão.

É disso que trata essa música. E se, depois de ouvir, você também não tiver vontade de ter um bar como o Baby Blue, seu negócio, meu velho, é ser gerente de banco.

BABY BLUE

Quando a sexta chega e você quer sair
Pra cair na gandaia, pra se divertir
Eu conheço um lugar que fica perto daqui
Põe uma beca e pega a estrada que é só me seguir
Bem vindo ao Baby Blue
Bem vindo ao Baby Blue
A cerveja mais gelada
A banda mais animada
Desses bares do sul

São sete mesas de sinuca, sete bancos no balcão
Sete pares de mesinhas espalhadas no salão
Sete dias por semana se quiser diversão
Sete cordas na viola pra animar a multidão
Bem vindo ao Baby Blue
Bem vindo ao Baby Blue

Se você quer cair na farra não tem outro lugar
Todo mundo da cidade acaba vindo pra cá
Tem essa banda no palco, um cara doido de matar
É um diabo de mil dedos e ele sabe tocar
Bem vindo ao Baby Blue
Bem vindo ao Baby Blue
A mulherada endiabrada
A noite mais agitada
As garçonetes mais safadas
A sinuca mais jogada
A cerveja mais gelada
A banda mais animada
Desses bares do sul

terça-feira, 21 de agosto de 2007

MÚSICA NOVA: AUTÓPSIA

Nós começamos a ensaiar as músicas novas pro novo CD (já dá pra ouvir a galera gritando "eeeeh!") e aí embaixo vai a letra de uma delas.

Essa é velha feito o cão, meninos e meninas. E ouso dizer que é a primeira canção de amor da banda. Alguns hão de dizer que estamos ficando com o coração mole (feito o Panga-Love, que se apaixonou e agora fica trocando recadinhos de amor do Orkut - mas deixa o rapaz, ele está amando...)

"Autópsia" foi escrita há muito tempo, pra extinta banda Autópsia, que tinha o Andinho Mortão no vocal, o Panga na bateria e o Suel no baixo. Se eu não me engano, Podrão tocava guitarra...

Conta a história de um rapaz apaixonado pela garota errada, que nunca lhe dá bola porque o coitado é pobre e tem um emprego de lascar. Mas como a gente não gosta de finais tristes, no fim das contas, quem acaba com o coração partido é ela (literalmente).

Vai aí:

Doçura, você sempre implicou com o meu jeito
Com meu emprego e a minha cara de tacho
E toda a sua vida recusou o meu beijo
Só que agora eu vou dizer o que eu acho

A vida inteira eu implorei por você
Mas você não me deu bola, não quis nem saber
Jogou na minha cara que eu tinha pouca grana
E que queria um cara rico com um carro bacana

Agora, meu bem
Não tem dinheiro nem glória
E não tem carro do ano
Que melhore a tua história

Você dizia que sonhava casar
Com pompa e circunstância de parada militar
Apontava o seu dedo ou descia o polegar
Se era um bom partido ou tava fora do ar

Você com sua graça de santinha golpista
Tava a fim de doutor, engenheiro ou dentista
Mas agora, minha filha, cê vai ter que engolir
Meu avental sujo de sangue de assistente do legista

Agora, meu bem
Não tem dinheiro nem glória
E não tem carro do ano
Que melhore a tua história
Eu vou fazer sua autópsia


Você me dizia que eu te dava enjôo
Agora a sua pele descama e dá nojo
Falava mal do meu perfume barato
Amor, o seu sorriso tá cheirando feito rato

Você aí sem roupa nessa pedra tão fria
Já não dá mais tesão, já não dá alegria
Aí perdida enfeitando o necrotério
Esperando entrar na faca praP morar no cemitério

Agora, meu bem
Não tem dinheiro nem glória
E não tem carro do ano
Que melhore a tua história
Eu vou fazer sua autópsia


(Autópsia - Zero Ora!)