quarta-feira, 28 de novembro de 2007

MÚSICA NOVA: As bicicletas assassinas

À semelhança de Delirium Tremens do primeiro disco, algumas pessoas vão achar que o infeliz que escreveu essa letra estava bêbado. Não é o caso.

Quem já não teve um desses sonhos estranhos, em que nada parece se encaixar ou fazer sentido? Aqueles sonhos em que você voa devagar, meio que nadando no ar, e acaba caindo... Ou aqueles em que você acha que está sendo perseguido...

As Bicicletas Assassinas é um blues rápido, num tom alto e desesperado, com riff e batida de marcha acelerada. E a historinha é um daqueles sonhos...

Eu já não vejo bicicletas
Assentadas nas paredes do meu quarto
Antigamente eu dormia
E elas ficavam vigiando o meu sono
E tramavam em silêncio
A minha morte prematura
Mas eu sabia!

E eu fugia pras colinas
Me abrigava entre os fungos da montanha
Os meus olhos estalados vigiavam
Os caminhos mais estreitos
E se eu visse o perigo se achegando
E montava o meu porco voador

E escaparia do destino
Entre as nuvens coloridas
Gaivotas de asas curtas
E pinturas surreais
Eu mergulhava pelos vales
E penhascos incrustados nos sinais
E avançava o vermelho
Feito um carro em desespero pedalando os meus pedais

Eu escalei fachos de luz
Eu mergulhei em lagos crus
Eu me escondi entre os anuns
E me encharquei de velhos runs
E acho que hoje eu sou livre
Eu despistei as bicicletas do meu sonho
E agora eu durmo tranqüilo
Pois não há mais bicicletas nos meus ombros

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