domingo, 15 de julho de 2007

Juiz de Fora

Estivemos ontem, arrastando as caixas e a parafernália inacabável do Pangaré (pratos, ferros, estantes, caixa, baquetas, mochia...), em Juiz do Fora/MG, pra participar do Festival de Bandas Novas. Nossa primeira incursão para além das terras fluminenses. Se tivemos alguma emoção por atravessar a fronteira pela primeira vez? Vai lendo...

Saímos por volta das onze da manhã. Parada no posto da Barbará pra colocar um gás na Blazer, porque na gasolina bolso nenhum agüenta. Meia hora de fila. Quase voltei pra abastecer na cidade. Não sei se é só comigo, mas toda vez que paro naquele posto, minha paciência se esgota. Teria sido um tédio irritante ,não fosse o Physical Graffiti do Led Zeppelin no aparelho, tocando o In My Time Of Dying, um blues de arrebentar as convenções e os modos, com quase 12 minutos de duração...

Pegamos a estrada e todos conhecemos o caminho complicado que precisamos vencer até Três Rios. Highway to Hell com Bon Scott gritando pelos cantos e a eventual conversa fiada que rola no carro. Piadas repetidas do Gargamel (engraçadas, de tão batisdas e sem graça), o Pangaré dando um furo atrás do outro, Suel de bermudinha coladinha e profetizando que ia passar mal na viagem.

Parada pro lanche em Paraíba do Sul. Um espetinho de frango murcho, uma pizza frita encharcada e "a melhor torta de chocolate do mundo". Tava lá na vitrine.

- Tá com uma cara boa (comentário do Gargamel olhando a vitrine e coçando o queixo). Ó... vou comer.

Pedimos três. E o Garga comeu primeiro. Não sem antes fazer o comentário urucubento:

- Vai ser essa torta que vai dar dor de barriga em todo mundo. Escreve aí o que eu tô falando.

E mordeu.

- Tá boa, Júnior? - o idiota aqui ainda perguntou.

- Pô! Boa pra cacete!

Sinceramente: nunca comi uma porcaria de bolo tão ruim na minha vida. Seco, sem gosto, com um creme de margarina imitando brigadeiro por cima. Mordi um pedaço e olhei de volta pro Gargamel.

- Que merda!

E o desgraçado rindo.

- Pensaram que eu ia me ferrar sozinho?

Metade do bolo pra trás, voltamos pra estrada.

Não foi muito difícil achar o local em Juiz de Fora. Praça da Estação, embora o Pangaré tenha cismado (e ainda teima até agora) que era um outro nome. Uma estação enorme do nosso lado e o cara ainda teima que era outra praça. Vai entender!

Chegamos. 6ª banda pra tocar. 25 minutos. Dava 3 músicas. Escolhemos 3 grandes, com a nova, Baby Blue, com quase 10 minutos, pra encerrar. Dez minutos depois já éramos a 5ª banda, porque tinha faltado uma. Sem problemas. E ainda com o Gargamel tirando foto de um tanque de guerra do outro lado da rua.

Tocamos as três músicas. Bom o som, boa a pegada e uma galerinha na frente, no meio daquele monte de camisas pretas, dançando blues como se fosse num boteco na beira de uma estrada do Texas. Legal. Só não consigo entender por que roqueiro tem que se fantasiar daquele jeito. Tinha um cara com um sobretudo enorme e uma camisa preta com o símbolo do justiceiro no peito. Devia estar se achando muito. Muito ridículo, mas... fazer o quê. Tem doido pra tudo.

Tocamos e demos o fora, de fininho. E o velho Negão, que só chegou na praça quando nós acabamos) de carona. Mais piadas velhas, comentários inteligentes do Panga, Suel passando mal no banco do carona e as Minas Gerais foram ficando para trás, com a noite despencando na BR044.

Divertido. Dá pra fazer outras vezes. Na verdade, preciso confessar que a parte da viagem costuma ser mais interessante que a apresentação propriamente dita. Não que tocar não seja legal. é muito bom e o motivo primordial de estarmos rodando por aí. Mas a viagem... Só quem já esteve junto sabe como é perder o fôlego de tanto rir.

De qualquer forma, até a próxima viagem. Sem bolo de chocolate desta vez.

Ah! Claro, ninguém teve piriri desta vez. O bolo era ruim, mas acho que nós somos mais e ele não fez efeito.

Até.

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